Tosse seca e tosse crônica

Tosse que passa de oito semanas deixa de ser resíduo de resfriado e vira sintoma a investigar. Na maioria dos casos, há uma causa identificável.

Radiografia de tórax em incidência posteroanterior
Radiografia de tórax em incidência posteroanterior, a de rotina. Imagem de acervo público. O'Dea, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

Sinais e sintomas mais relatados

Tosse por mais de 8 semanas Tosse seca ou com catarro Piora à noite Pigarro constante Rouquidão Azia ou refluxo

Quando a tosse merece investigação

Tosse com duração superior a oito semanas em adultos é classificada como crônica e deve ser investigada. Antes disso, na maioria das vezes se trata de tosse pós-infecciosa, que tende a se resolver sozinha.

Alguns sinais exigem avaliação mais rápida, independentemente do tempo de duração: sangue no escarro, perda de peso não intencional, febre persistente, falta de ar progressiva, rouquidão prolongada, história importante de tabagismo e alterações em exames de imagem.

Prancha escolar antiga com o esquema nervoso da tosse
Prancha escolar italiana antiga com o mecanismo nervoso da tosse e do vômito. Unknown author Unknown author, domínio público, via Wikimedia Commons.

Causas mais frequentes

Em pacientes não fumantes, com radiografia normal e sem uso de medicamentos que causam tosse, três causas respondem pela maioria dos casos, isoladas ou combinadas:

  • Síndrome da tosse das vias aéreas superiores: rinite e rinossinusite com gotejamento posterior, associadas a pigarro e sensação de secreção descendo pela garganta.
  • Asma e suas variantes, incluindo a asma em que a tosse é o sintoma predominante, sem chiado evidente.
  • Refluxo gastroesofágico, que pode causar tosse mesmo sem azia perceptível.

Outras causas relevantes incluem uso de medicamentos anti-hipertensivos da classe dos inibidores da ECA, bronquite eosinofílica, bronquiectasias, doenças pulmonares intersticiais, tuberculose, apneia do sono, insuficiência cardíaca e, mais raramente, tumores. Tabagismo ativo é causa por si só e muda toda a abordagem.

Existe ainda a síndrome de hipersensibilidade da tosse, em que o reflexo se torna exageradamente sensível a estímulos como falar, rir, ar frio e cheiros fortes. Esses casos exigem abordagem específica, incluindo fonoterapia dirigida.

Como se investiga

A investigação parte de uma história detalhada: tempo de evolução, características da tosse, fatores desencadeantes, sintomas nasais, digestivos e respiratórios associados, medicamentos em uso, exposições ambientais e ocupacionais e histórico de tabagismo.

Os exames iniciais em geral incluem radiografia de tórax e espirometria com prova broncodilatadora. Conforme a suspeita, entram tomografia de tórax, avaliação otorrinolaringológica, investigação de refluxo, medida de óxido nítrico exalado e broncoscopia.

Em uma parcela dos casos, a tosse seca persistente é a primeira manifestação de doença pulmonar intersticial, e a tomografia de alta resolução é o exame que faz essa diferenciação.

Estetoscópio de madeira do início do século XIX
Estetoscópio de madeira de 1819, do modelo criado por René Laennec. Wellcome Collection. CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.
Retrato em gravura de René Laennec
René Laennec (1781–1826), o médico francês que inventou o estetoscópio. Unknown author Unknown author, domínio público, via Wikimedia Commons.

Tratamento

O tratamento é dirigido à causa. Quando há mais de uma causa contribuindo, o que é comum, todas precisam ser abordadas para que a tosse ceda. Isso explica melhoras parciais que frustram o paciente: tratou-se uma causa e permaneceu a outra.

Xaropes de venda livre têm papel muito limitado e não substituem investigação. A resposta ao tratamento é acompanhada com reavaliações programadas, e a ausência de melhora é informação diagnóstica que orienta o próximo passo.

Perguntas frequentes

Tosse há dois meses sem outros sintomas. Preciso me preocupar?

Tosse com mais de oito semanas merece investigação, mesmo sem outros sintomas. Na maior parte dos casos a causa é identificável e tratável. A avaliação com exame clínico, radiografia e espirometria costuma ser o ponto de partida.

Tomo remédio para pressão e comecei a tossir. Pode ser relacionado?

Sim. Os anti-hipertensivos da classe dos inibidores da enzima conversora de angiotensina causam tosse seca em uma parcela dos pacientes, às vezes meses após o início do uso. A troca da medicação deve ser discutida com o médico que a prescreveu, nunca suspensa por conta própria.

Tosse pode ser sinal de fibrose pulmonar?

Pode. Tosse seca persistente, especialmente quando acompanhada de falta de ar aos esforços, é uma das formas de apresentação das doenças pulmonares intersticiais. A tomografia de alta resolução é o exame que esclarece essa possibilidade.

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