Dr. Fábio Eiji Arimura · Médico Pneumologista · CRM 139582-SP · RQE 74445 (11) 3063-4200
Doenças intersticiais pulmonares

Esclerose sistêmica e pulmão

Na esclerose sistêmica o pulmão pode ser atingido por duas frentes distintas: doença intersticial e hipertensão pulmonar. Elas exigem investigação e tratamento diferentes.

Sinais e sintomas mais relatados

Falta de ar aos esforços Tosse seca Fenômeno de Raynaud Endurecimento da pele Refluxo importante Dificuldade para engolir
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Duas formas de acometimento pulmonar

A esclerose sistêmica é uma doença do tecido conjuntivo que combina alterações vasculares, autoimunidade e fibrose. No pulmão, ela se manifesta principalmente de duas maneiras, que podem coexistir no mesmo paciente:

  • Doença pulmonar intersticial: fibrose do parênquima, geralmente com padrão de pneumonia intersticial não específica, predominando nas bases pulmonares.
  • Hipertensão pulmonar: aumento da pressão nas artérias pulmonares por comprometimento vascular, que pode ocorrer mesmo sem fibrose significativa.

A distinção importa porque os tratamentos são completamente diferentes. Um paciente com falta de ar progressiva e tomografia com pouca fibrose pode ter hipertensão pulmonar como causa principal do sintoma, e isso não se resolve com imunossupressão.

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Rastreio: por que é feito desde o diagnóstico

O acometimento pulmonar pode se instalar sem sintomas evidentes nas fases iniciais, e a falta de ar frequentemente é atribuída a descondicionamento ou ao acometimento articular. Por isso a avaliação pulmonar costuma ser recomendada já no momento do diagnóstico reumatológico e repetida periodicamente.

A avaliação inclui:

  • Tomografia de tórax de alta resolução.
  • Espirometria, volumes pulmonares e DLCO. Uma queda isolada e desproporcional da DLCO levanta suspeita de componente vascular.
  • Ecocardiograma com estimativa de pressão sistólica da artéria pulmonar.
  • Investigação complementar com cateterismo cardíaco direito quando há suspeita consistente de hipertensão pulmonar, já que o ecocardiograma sozinho não confirma o diagnóstico.
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O papel do refluxo e da aspiração

O acometimento do esôfago é quase universal na esclerose sistêmica, com redução da motilidade e refluxo importante. Isso tem consequência pulmonar direta: microaspirações repetidas contribuem para a inflamação e para a progressão do acometimento intersticial.

O manejo agressivo do refluxo, com medidas posturais, adequação alimentar e tratamento medicamentoso, é parte do cuidado pulmonar nesses pacientes, e não um tema separado do aparelho digestivo.

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Tratamento

Na doença intersticial, a imunossupressão é a base do tratamento, com esquemas escolhidos conforme extensão do acometimento, atividade da doença e tolerância. Nos casos com progressão apesar do tratamento imunossupressor, medicamentos antifibróticos podem ser associados.

A hipertensão pulmonar associada tem tratamento próprio, com medicamentos vasodilatadores pulmonares específicos, e é conduzida em conjunto com serviço especializado. Reabilitação pulmonar, oxigenoterapia quando indicada, vacinação e acompanhamento reumatológico conjunto completam o plano.

O seguimento é feito com provas de função pulmonar seriadas, tomografia em intervalos definidos e reavaliação periódica do componente vascular.

Perguntas frequentes

Todo paciente com esclerose sistêmica desenvolve doença pulmonar?

Não. O acometimento pulmonar é frequente, mas não universal, e sua extensão varia bastante. O padrão de anticorpos, o subtipo da doença e o tempo de evolução influenciam o risco, o que justifica o rastreio periódico mesmo em pacientes sem sintomas.

Falta de ar na esclerose sistêmica é sempre fibrose?

Não. Hipertensão pulmonar, anemia, acometimento cardíaco, fraqueza muscular e descondicionamento também causam falta de ar nesses pacientes. Diferenciar as causas exige exames específicos, porque o tratamento de cada uma é distinto.

Por que o médico insiste tanto no tratamento do refluxo?

Porque na esclerose sistêmica o refluxo é muito frequente e as microaspirações repetidas contribuem para o dano pulmonar. Controlar o refluxo faz parte do cuidado com o pulmão nesse contexto.

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