Dr. Fábio Eiji Arimura · Médico Pneumologista · CRM 139582-SP · RQE 74445 (11) 3063-4200
Glossário

Termos e siglas do laudo de espirometria

O laudo da sua espirometria traz siglas e percentuais que não são de uso comum fora da medicina. Esta página explica, um por um, o que cada sigla mede e o que cada frase do laudo descreve. Nenhum verbete conclui um diagnóstico, porque um número de espirometria, isolado, não permite concluir.

A espirometria mede o ar que você consegue soprar: quanto, e com que velocidade. O exame pede que você encha o peito por completo e depois esvazie com toda a força, o mais rápido possível e até o fim. É essa manobra, repetida algumas vezes, que gera todos os números do laudo.

O laudo tem três partes: uma tabela de medidas, em que cada linha é uma sigla; um gráfico, chamado curva fluxo-volume, cuja forma informa tanto quanto os números; e uma conclusão em uma ou duas frases, escrita pelo médico que interpretou o exame.

Duas coisas ajudam a ler esta página. A primeira: espirometria mede função, não doença. Ela diz o que o seu pulmão conseguiu fazer naquela manhã, e o mesmo resultado aparece em causas diferentes. A segunda: um exame alterado não equivale a doença instalada, e um exame normal não afasta todas as doenças respiratórias.

Cada verbete traz a lista de variações com que a mesma medida ou a mesma conclusão costuma ser escrita, porque cada serviço escreve de um jeito. Use o índice para ir direto à sigla do seu exame e, se não encontrar a forma exata, procure pelo pedaço que você reconhece.

CVF — capacidade vital forçada

No laudo também aparece como CVF, capacidade vital forçada, FVC, CV forçada, capacidade vital, CVF reduzida, CVF diminuída

CVF é a sigla de capacidade vital forçada. É o tamanho do seu sopro: o volume total de ar que você conseguiu soprar, do peito cheio até o fim do esforço, em uma única expiração forçada. Aparece no laudo ao lado do valor esperado para alguém com a sua idade, altura, sexo e etnia.

A CVF depende de quanto ar cabe no pulmão e de quanto desse ar sai na manobra. Por isso ela cai em situações bem diferentes entre si, e também quando o sopro foi interrompido antes do fim ou feito sem força suficiente — é por isso que o exame é repetido algumas vezes. Nas doenças pulmonares intersticiais é a medida que se acompanha ao longo do tempo, e a comparação entre exames vale mais do que o número isolado.

CVF baixa, sozinha, não é diagnóstico de nada: aponta várias possibilidades, e separá-las exige outros exames. Qual delas se aplica ao seu caso é avaliação caso a caso, com médico especialista.

VEF1 — volume expiratório forçado no primeiro segundo

No laudo também aparece como VEF1, VEF-1, VEF1,0, volume expiratório forçado no primeiro segundo, FEV1, FEV-1, VEF1 reduzido, VEF1 diminuído

VEF1 é a sigla de volume expiratório forçado no primeiro segundo. Mede quanto ar você conseguiu soprar durante o primeiro segundo da expiração forçada, que é a parte mais rápida do sopro. É o número mais citado de todo o laudo.

O VEF1 cai quando há dificuldade de o ar sair pelas vias aéreas, e também quando há menos ar no pulmão para soprar — por isso ele nunca é lido sozinho, e sim junto da CVF. É a medida que se acompanha ao longo dos anos na asma e na DPOC, e a variação entre exames diz mais do que o valor de um exame único. É também o número que se compara antes e depois da bombinha na prova broncodilatadora.

VEF1 baixo não indica a causa, e não distingue uma doença de outra. Essa distinção vem do conjunto do exame e da história, em avaliação caso a caso com médico especialista.

Relação VEF1/CVF

No laudo também aparece como VEF1/CVF, VEF1/CV, relação VEF1/CVF, índice de Tiffeneau, FEV1/FVC, VEF1/CVF reduzida, VEF1/CVF normal, índice de Tiffeneau-Pinelli

A relação VEF1/CVF é a divisão de um número pelo outro: quanto do seu sopro total saiu já no primeiro segundo. Costuma aparecer como percentual ou como número decimal — 72% e 0,72 querem dizer a mesma coisa.

Quando as vias aéreas oferecem resistência, o ar sai mais devagar e sobra mais para o fim da manobra: a fração que sai no primeiro segundo diminui, e é essa queda que caracteriza o padrão chamado obstrutivo. O valor que conta como baixo não é um número único — ele varia com a idade e com o perfil da pessoa, e os critérios mudaram ao longo dos anos, de modo que serviços diferentes informam o resultado de maneiras diferentes.

A relação VEF1/CVF indica se o ar encontra dificuldade para sair, e não a causa disso nem a gravidade. <a href="/asma">Asma</a>, <a href="/dpoc">DPOC</a>, <a href="/bronquiectasias">bronquiectasias</a> e outras situações produzem o mesmo padrão, e separá-las é avaliação caso a caso, com médico especialista.

Distúrbio ventilatório obstrutivo

No laudo também aparece como DVO, distúrbio ventilatório obstrutivo, distúrbio obstrutivo, padrão obstrutivo, limitação ao fluxo aéreo, distúrbio ventilatório obstrutivo leve, distúrbio ventilatório obstrutivo moderado, distúrbio ventilatório obstrutivo grave, obstrução ao fluxo aéreo

Distúrbio ventilatório obstrutivo, abreviado DVO, é a conclusão de que o ar encontra dificuldade para sair pelas vias aéreas. O laudo costuma acrescentar um grau — leve, moderado, grave —, que se refere a quanto as medidas daquele dia se afastaram do esperado.

É a conclusão mais frequente entre os laudos alterados, e descreve um comportamento do ar, não uma doença: asma, DPOC, bronquite crônica, bronquiectasias e outras situações produzem o mesmo padrão, e a frase do laudo não escolhe entre elas. A palavra grave se refere ao número medido naquele dia, e não ao futuro: é comum que a espirometria repetida depois de tratamento adequado mostre outro grau.

DVO é um padrão funcional, e não um diagnóstico. A causa — e o que fazer a respeito — sai do conjunto, em avaliação caso a caso com médico especialista.

Distúrbio ventilatório restritivo

No laudo também aparece como DVR, distúrbio ventilatório restritivo, distúrbio restritivo, padrão restritivo, restrição, sugestivo de distúrbio restritivo, provável distúrbio ventilatório restritivo

Distúrbio ventilatório restritivo, abreviado DVR, é a conclusão de que o pulmão parece estar trabalhando com um volume menor do que o esperado: o sopro é pequeno, mas sai na velocidade certa.

Muitos laudos escrevem sugestivo de distúrbio restritivo, e a palavra sugestivo não é cautela de praxe: é a informação principal da frase. A espirometria não mede o volume total do pulmão, apenas o ar que saiu no sopro — e um sopro pequeno acontece por motivos que não são restrição de verdade, inclusive por esforço insuficiente ou por obstrução importante, em que parte do ar fica presa. Confirmar exige outro exame, que mede também o ar que fica no pulmão.

Espirometria não fecha diagnóstico de restrição, e um laudo que diz sugestivo está sendo preciso ao não afirmar. O que vem depois depende do caso, e se define em avaliação com médico especialista.

Distúrbio ventilatório combinado

No laudo também aparece como distúrbio ventilatório combinado, distúrbio combinado, distúrbio misto, padrão misto, DVC, distúrbio ventilatório obstrutivo e restritivo, padrão obstrutivo com componente restritivo

Distúrbio ventilatório combinado, também escrito como misto, é a conclusão de que o exame mostrou as duas coisas ao mesmo tempo: dificuldade para o ar sair e um volume de sopro menor do que o esperado.

Essa combinação tem mais de uma explicação possível, e a espirometria sozinha não decide entre elas. Pode haver realmente duas condições somadas. Ou pode haver apenas obstrução, em grau avançado — quando parte do ar fica presa e não chega a ser soprada, o volume do sopro cai por consequência disso, sem que exista restrição alguma.

Combinado é a conclusão que mais depende de outros exames para significar algo, e a diferença entre as explicações possíveis muda o tratamento. É um resultado para ser avaliado caso a caso, com médico especialista.

Prova broncodilatadora

No laudo também aparece como prova broncodilatadora, PBD, teste broncodilatador, resposta ao broncodilatador, pós-broncodilatador, pós-BD, com resposta significativa ao broncodilatador, sem resposta ao broncodilatador, resposta broncodilatadora positiva, prova broncodilatadora negativa

Prova broncodilatadora é a segunda metade do exame. Depois da primeira série de sopros, você inala um medicamento que relaxa as vias aéreas — do tipo das bombinhas de alívio — e sopra de novo cerca de quinze minutos depois. O laudo mostra os dois resultados lado a lado.

A comparação mostra se a saída do ar melhorou com o medicamento. Um ponto costuma gerar confusão: prova negativa não afasta asma. A via aérea pode estar num dia bom, a pessoa pode ter usado a própria bombinha antes de chegar, e a mesma pessoa pode ter resposta em um exame e não ter no seguinte. Os critérios do que conta como resposta mudaram ao longo dos anos e variam entre serviços.

A prova informa como as vias aéreas responderam naquele dia, e não diagnostica nem exclui doença alguma. O que o resultado significa depende dos sintomas e da história — avaliação caso a caso, com médico especialista.

Percentual do previsto

No laudo também aparece como % do previsto, percentual do previsto, porcentagem do previsto, % previsto, valor previsto, valores de referência, LIN, limite inferior da normalidade, z-score, escore z, previsto Pereira

Percentual do previsto é a comparação entre o que você fez e o que se espera de uma pessoa saudável com a sua idade, altura, sexo e etnia. Uma CVF de 78% do previsto quer dizer que o seu sopro foi 78% do volume esperado para esse perfil.

O número redondo que circula por aí como limite da normalidade é uma regra prática antiga, e não um corte biológico. O limite aplicável varia conforme a medida e o perfil da pessoa, e o percentual sozinho classifica mal nos extremos de idade e de altura — por isso os laudos mais recentes trazem outras formas de expressar a mesma comparação. Para acompanhamento ao longo do tempo, a comparação que mais importa é com os seus próprios exames anteriores, e não com a tabela.

Um percentual abaixo do esperado não é diagnóstico, e um percentual dentro do esperado não afasta doença respiratória. Qual é o limite aplicável a você e o que a diferença significa é avaliação caso a caso, com médico especialista.

FEF 25-75% e pico de fluxo

No laudo também aparece como FEF 25-75, FEF25-75%, FEF 25-75%, fluxo expiratório forçado médio, FEF médio, PFE, pico de fluxo expiratório, PEF, fluxos terminais, fluxos em pequenas vias aéreas

São medidas da velocidade do ar em momentos específicos do sopro. O PFE, pico de fluxo expiratório, é a velocidade máxima atingida no começo. O FEF 25-75% é a velocidade média na parte do meio da manobra, trecho que depende menos da sua força.

Essas medidas aparecem no laudo por completude e costumam gerar preocupação desproporcional quando vêm marcadas como reduzidas. O FEF 25-75% varia muito entre pessoas saudáveis, e as diretrizes atuais leem com reserva as conclusões tiradas dele quando as medidas principais estão normais — é o caso da expressão alteração de pequenas vias aéreas. O PFE depende muito do esforço no início do sopro.

Um valor reduzido de forma isolada, com as medidas principais normais, raramente significa algo por si. O peso que esse número tem no seu exame depende do resto do laudo e dos seus sintomas — leitura caso a caso, com médico especialista.

Espirometria normal

No laudo também aparece como espirometria normal, exame normal, dentro dos limites da normalidade, dentro dos limites previstos, sem distúrbio ventilatório, ausência de distúrbio ventilatório, espirometria sem alterações

Espirometria normal, ou dentro dos limites da normalidade, é a conclusão de que as medidas ficaram dentro da faixa esperada para alguém com a sua idade, altura, sexo e etnia. O sopro teve o volume esperado e saiu na velocidade esperada.

É boa notícia, e não é um atestado de pulmão sem doença — a diferença importa para quem continua com sintomas depois de um exame normal. A espirometria mede uma função específica, e várias situações cursam com espirometria normal: asma fora de crise, doença pulmonar intersticial em fase inicial, doença dos vasos do pulmão, apneia do sono, tosse por causas fora do pulmão.

Espirometria normal com sintoma persistente é motivo para continuar a investigação, não para encerrá-la. O que se investiga depois depende do sintoma e da história, e se define caso a caso, com médico especialista.

Curva fluxo-volume e critérios de aceitabilidade

No laudo também aparece como curva fluxo-volume, alça fluxo-volume, curva volume-tempo, critérios de aceitabilidade, manobra aceitável, exame tecnicamente satisfatório, exame sem reprodutibilidade, esforço insuficiente, colaboração insuficiente, platô, término precoce

A curva fluxo-volume é o gráfico do laudo: a velocidade do ar de um lado, o volume soprado do outro. A forma dela informa tanto quanto os números. Os critérios de aceitabilidade são as regras técnicas que dizem se a manobra foi bem feita o suficiente para ser interpretada.

Uma curva normal sobe depressa até um pico e desce de forma regular. Quando há dificuldade para o ar sair, a descida fica escavada. Quando o volume é pequeno, o desenho mantém a forma e fica menor. O exame exige também que a pessoa sopre com força desde o início e mantenha o sopro até o fim, e que duas tentativas cheguem a resultados próximos; quando isso não acontece, o laudo registra expressões como esforço insuficiente, término precoce ou sem reprodutibilidade.

Uma observação de qualidade técnica no laudo não é crítica a você: é o aviso de que os números podem não representar a sua função pulmonar real. Se o seu laudo traz uma dessas expressões, ela precisa ser avaliada com médico especialista, caso a caso.

DLCO e volumes pulmonares

No laudo também aparece como DLCO, DCO, capacidade de difusão, difusão de monóxido de carbono, capacidade de difusão do monóxido de carbono, KCO, CPT, capacidade pulmonar total, TLC, VR, volume residual, pletismografia, prova de função pulmonar completa, espirometria completa

São exames que acompanham a espirometria quando ela não basta, e que às vezes vêm no mesmo laudo, sob o título de prova de função pulmonar completa. A DLCO mede a eficiência com que o gás passa do pulmão para o sangue. Os volumes pulmonares medem quanto ar cabe no pulmão, inclusive o que não sai no sopro.

A espirometria mede o ar que sai; esses exames medem o que ela não alcança. A medida do volume total do pulmão é a que confirma ou afasta restrição, e o volume residual elevado indica ar aprisionado. A DLCO tem papel central nas doenças pulmonares intersticiais e nas doenças dos vasos do pulmão, e pode estar alterada com espirometria ainda normal. Fatores como anemia e tabagismo recente influenciam o resultado.

Estes exames complementam a espirometria e não a substituem, e nenhum deles nomeia uma doença por si. A interpretação reúne todas as medidas junto da história clínica, em avaliação caso a caso com médico especialista.

O que um laudo, sozinho, não decide

Um laudo de espirometria descreve o que você conseguiu soprar em uma manhã específica. Ele não sabe o que você sente e há quanto tempo, se estava resfriado naquele dia, que medicamentos usa e se os tomou antes do exame, com o que convive em casa e no trabalho, nem o que a espirometria de dois anos atrás mostrava — e são essas informações que dão sentido aos números. Por isso o mesmo percentual significa coisas diferentes em duas pessoas.

Se a sua espirometria trouxe alguma das siglas ou frases desta página, o caminho é levar o exame a uma consulta com médico pneumologista. Leve o laudo completo, com a tabela de números e o gráfico, e não apenas a linha da conclusão. Leve também as espirometrias anteriores que tiver guardadas, mesmo as antigas, as tomografias já realizadas e a lista dos medicamentos em uso, incluindo as bombinhas.

Cada caso é avaliado por inteiro — os números, a forma da curva, a história clínica e o exame físico, mais os exames complementares que a avaliação indicar. É desse conjunto que sai a conclusão possível, e nenhuma página da internet, esta inclusive, substitui essa avaliação.

Levar a tomografia a uma consulta

As consultas são agendadas pelo WhatsApp da secretária. Leve o arquivo digital do exame, e não apenas o laudo impresso, junto das tomografias anteriores que tiver guardadas.

Agendar consulta
Agendar consulta