Dr. Fábio Eiji Arimura · Médico Pneumologista · CRM 139582-SP · RQE 74445 (11) 3063-4200
Doenças intersticiais pulmonares

Sarcoidose pulmonar

Doença inflamatória que forma granulomas em vários órgãos, com o pulmão como alvo mais frequente. Parte dos casos regride sozinha, outra parte exige tratamento prolongado.

Sinais e sintomas mais relatados

Tosse seca Falta de ar Dor torácica Cansaço importante Lesões de pele Alterações oculares
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O que é sarcoidose

A sarcoidose é uma doença inflamatória sistêmica caracterizada pela formação de granulomas, aglomerados microscópicos de células de defesa, em diferentes órgãos. O pulmão e os gânglios linfáticos do tórax são acometidos na grande maioria dos casos, mas a doença também pode envolver pele, olhos, fígado, coração e sistema nervoso.

A causa não é totalmente conhecida. A hipótese aceita é a de uma resposta imunológica exagerada a um estímulo ambiental em pessoas com predisposição genética. O comportamento é bastante variável: há casos assintomáticos descobertos em exame de rotina, casos com sintomas respiratórios importantes e casos com manifestação inicial fora do pulmão.

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Sintomas e manifestações fora do pulmão

No pulmão, os sintomas mais comuns são tosse seca, falta de ar aos esforços e desconforto torácico. Fadiga desproporcional ao acometimento pulmonar é queixa frequente e às vezes a mais incapacitante.

Fora do pulmão, merecem atenção:

  • Olhos: uveíte, com vermelhidão, dor e alteração visual. Exige avaliação oftalmológica, mesmo sem sintomas, em pacientes com diagnóstico confirmado.
  • Pele: nódulos, placas e o eritema nodoso, mais comum nas pernas.
  • Coração: arritmias, alterações de condução e insuficiência cardíaca. É a manifestação mais grave e precisa ser ativamente pesquisada quando há sintomas sugestivos.
  • Sistema nervoso, fígado, rins e cálcio: hipercalcemia e cálculos renais podem ser a primeira pista.
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Diagnóstico

O diagnóstico se apoia na combinação de quadro clínico compatível, imagem sugestiva e demonstração de granulomas não caseosos, com exclusão de outras causas de granuloma, especialmente tuberculose e outras infecções, que no Brasil precisam ser sempre consideradas.

A tomografia de tórax costuma mostrar aumento simétrico de gânglios hilares e mediastinais e nódulos com distribuição ao longo dos feixes broncovasculares. A confirmação histológica é obtida com frequência por broncoscopia com punção guiada por ultrassom endobrônquico, procedimento com bom rendimento e baixo risco. Provas de função pulmonar, avaliação laboratorial, eletrocardiograma e exame oftalmológico completam a avaliação inicial.

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Quando tratar

Nem toda sarcoidose precisa de tratamento medicamentoso. Uma parcela dos casos com acometimento apenas ganglionar e sem sintomas relevantes evolui com regressão espontânea, e nesses casos a conduta é acompanhamento estruturado com reavaliações periódicas.

O tratamento é indicado quando há sintomas significativos, perda de função pulmonar, doença progressiva ou acometimento de órgãos com risco relevante, como coração, olhos e sistema nervoso. O corticoide costuma ser a primeira linha, e medicamentos poupadores de corticoide entram quando é necessário tratamento prolongado ou quando os efeitos adversos limitam a dose. Casos refratários podem exigir terapias imunobiológicas.

Fadiga persistente e sintomas de dor merecem abordagem própria, porque nem sempre respondem ao tratamento anti-inflamatório e podem exigir estratégias específicas.

Perguntas frequentes

Sarcoidose é câncer?

Não. A sarcoidose é uma doença inflamatória benigna. A confusão acontece porque o aumento de gânglios no tórax visto na tomografia pode levantar a suspeita de linfoma ou de metástase, o que torna a confirmação diagnóstica importante.

Sarcoidose tem cura?

O comportamento varia bastante. Parte dos casos entra em remissão, com ou sem tratamento, e não retorna. Outra parte tem curso crônico e exige acompanhamento e tratamento prolongado. A avaliação individual, com exames de função pulmonar e imagem ao longo do tempo, é o que define em qual cenário o caso se encaixa.

Sarcoidose é contagiosa?

Não se transmite de pessoa para pessoa. Existe uma tendência familiar descrita, atribuída a fatores genéticos combinados com exposições ambientais, mas não se trata de doença infecciosa.

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