Sarcoidose pulmonar

Doença inflamatória que forma granulomas em vários órgãos, com o pulmão como alvo mais frequente. Parte dos casos regride sozinha, outra parte exige tratamento prolongado.

Granuloma de sarcoidose visto ao microscópio
Granuloma não necrosante de sarcoidose ao microscópio. Yale Rosen from USA, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

Sinais e sintomas mais relatados

Tosse seca Falta de ar Dor torácica Cansaço importante Lesões de pele Alterações oculares

O que é sarcoidose

A sarcoidose é uma doença inflamatória sistêmica caracterizada pela formação de granulomas, aglomerados microscópicos de células de defesa, em diferentes órgãos. O pulmão e os gânglios linfáticos do tórax são acometidos na grande maioria dos casos, mas a doença também pode envolver pele, olhos, fígado, coração e sistema nervoso.

A causa não é totalmente conhecida. A hipótese aceita é a de uma resposta imunológica exagerada a um estímulo ambiental em pessoas com predisposição genética. O comportamento é bastante variável: há casos assintomáticos descobertos em exame de rotina, casos com sintomas respiratórios importantes e casos com manifestação inicial fora do pulmão.

Radiografia de tórax com nódulos de sarcoidose
Radiografia de tórax com nódulos de sarcoidose. Imagem de acervo público. Mikael Häggström, CC0, via Wikimedia Commons.

Sintomas e manifestações fora do pulmão

No pulmão, os sintomas mais comuns são tosse seca, falta de ar aos esforços e desconforto torácico. Fadiga desproporcional ao acometimento pulmonar é queixa frequente e às vezes a mais incapacitante.

Fora do pulmão, merecem atenção:

  • Olhos: uveíte, com vermelhidão, dor e alteração visual. Exige avaliação oftalmológica, mesmo sem sintomas, em pacientes com diagnóstico confirmado.
  • Pele: nódulos, placas e o eritema nodoso, mais comum nas pernas.
  • Coração: arritmias, alterações de condução e insuficiência cardíaca. É a manifestação mais grave e precisa ser ativamente pesquisada quando há sintomas sugestivos.
  • Sistema nervoso, fígado, rins e cálcio: hipercalcemia e cálculos renais podem ser a primeira pista.

Diagnóstico

O diagnóstico se apoia na combinação de quadro clínico compatível, imagem sugestiva e demonstração de granulomas não caseosos, com exclusão de outras causas de granuloma, especialmente tuberculose e outras infecções, que no Brasil precisam ser sempre consideradas.

A tomografia de tórax costuma mostrar aumento simétrico de gânglios hilares e mediastinais e nódulos com distribuição ao longo dos feixes broncovasculares. A confirmação histológica é obtida com frequência por broncoscopia com punção guiada por ultrassom endobrônquico, procedimento com bom rendimento e baixo risco. Provas de função pulmonar, avaliação laboratorial, eletrocardiograma e exame oftalmológico completam a avaliação inicial.

Radiografia e tomografia do tórax lado a lado, com alterações de sarcoidose
Radiografia e tomografia de tórax na sarcoidose pulmonar. Imagem de acervo público. Hellerhoff, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
Lâmina de pulmão com granulomas de sarcoidose em formação
Sarcoidose ao microscópio: inflamação dos alvéolos e granulomas em formação. Yale Rosen from USA, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

Quando tratar

Nem toda sarcoidose precisa de tratamento medicamentoso. Uma parcela dos casos com acometimento apenas ganglionar e sem sintomas relevantes evolui com regressão espontânea, e nesses casos a conduta é acompanhamento estruturado com reavaliações periódicas.

O tratamento é indicado quando há sintomas significativos, perda de função pulmonar, doença progressiva ou acometimento de órgãos com risco relevante, como coração, olhos e sistema nervoso. O corticoide costuma ser a primeira linha, e medicamentos poupadores de corticoide entram quando é necessário tratamento prolongado ou quando os efeitos adversos limitam a dose. Casos refratários podem exigir terapias imunobiológicas.

Fadiga persistente e sintomas de dor merecem abordagem própria, porque nem sempre respondem ao tratamento anti-inflamatório e podem exigir estratégias específicas.

Perguntas frequentes

Sarcoidose é câncer?

Não. A sarcoidose é uma doença inflamatória benigna. A confusão acontece porque o aumento de gânglios no tórax visto na tomografia pode levantar a suspeita de linfoma ou de metástase, o que torna a confirmação diagnóstica importante.

Sarcoidose tem cura?

O comportamento varia bastante. Parte dos casos entra em remissão, com ou sem tratamento, e não retorna. Outra parte tem curso crônico e exige acompanhamento e tratamento prolongado. A avaliação individual, com exames de função pulmonar e imagem ao longo do tempo, é o que define em qual cenário o caso se encaixa.

Sarcoidose é contagiosa?

Não se transmite de pessoa para pessoa. Existe uma tendência familiar descrita, atribuída a fatores genéticos combinados com exposições ambientais, mas não se trata de doença infecciosa.

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