Bronquiectasias

Dilatação permanente dos brônquios que gera tosse com catarro e infecções de repetição. Investigar a causa muda o tratamento em uma parte relevante dos casos.

Broncografia com brônquios dilatados
Broncografia com os brônquios dilatados da bronquiectasia. O exame, feito com contraste nas vias aéreas, deu lugar à tomografia. Yale Rosen from USA, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

Sinais e sintomas mais relatados

Tosse com catarro diária Infecções respiratórias frequentes Catarro espesso Sangue no escarro Falta de ar Cansaço

O que são

Bronquiectasias são dilatações permanentes e irreversíveis dos brônquios, resultantes de um ciclo de infecção, inflamação e destruição da parede brônquica. Os brônquios dilatados drenam mal a secreção, o que favorece nova colonização bacteriana e mantém o ciclo.

A manifestação típica é tosse produtiva diária, com volume variável de catarro, associada a infecções respiratórias de repetição. Algumas pessoas convivem anos com esse quadro rotulado como bronquite crônica, sem que a tomografia que faria o diagnóstico seja solicitada.

Corte histológico de um brônquio visto ao microscópio
Corte histológico de um brônquio ao microscópio. Jpogi at English Wikipedia, domínio público, via Wikimedia Commons.

Diagnóstico e busca da causa

A tomografia de tórax de alta resolução é o exame que estabelece o diagnóstico e mostra a extensão e a distribuição das alterações.

Estabelecido o diagnóstico, o passo seguinte é procurar a causa, porque em parte dos casos existe uma condição de base tratável:

  • Sequela de infecções graves, incluindo tuberculose, que é causa frequente no Brasil.
  • Imunodeficiências, especialmente deficiências de anticorpos.
  • Fibrose cística, incluindo formas de apresentação na vida adulta.
  • Discinesia ciliar primária.
  • Aspergilose broncopulmonar alérgica.
  • Doenças reumatológicas, sobretudo artrite reumatoide e Sjögren.
  • Refluxo com aspiração crônica e obstrução brônquica localizada.

A investigação inclui exames de imunidade, cultura de escarro com pesquisa de micobactérias, avaliação para fibrose cística quando indicada e outros exames conforme a suspeita.

Tratamento

O cuidado se organiza em torno de alguns eixos:

  • Higiene brônquica: técnicas de desobstrução das vias aéreas, orientadas por fisioterapeuta respiratório, com uso de dispositivos quando indicado. É a base do tratamento e depende de regularidade.
  • Exercício físico regular, que auxilia a depuração de secreções e a capacidade funcional.
  • Tratamento das exacerbações com antibiótico orientado por cultura de escarro sempre que possível.
  • Tratamento da causa de base, quando identificada.
  • Vacinação em dia.
  • Estratégias de longo prazo em pacientes com exacerbações frequentes, discutidas caso a caso.

Coletar escarro para cultura em momentos de estabilidade e durante exacerbações é uma prática que orienta decisões futuras e vale ser mantida.

Corte de tomografia do tórax em janela de pulmão
Corte de tomografia de tórax em janela de pulmão. Imagem de acervo público. Goleisureintl, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.
Radiografia de tórax em incidência posteroanterior
Radiografia de tórax em incidência posteroanterior, a de rotina. Imagem de acervo público. O'Dea, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

Perguntas frequentes

Bronquiectasia tem cura?

A dilatação brônquica já estabelecida não se reverte. O tratamento tem como objetivo reduzir sintomas, diminuir a frequência de exacerbações e preservar a função pulmonar. Quando existe uma causa de base tratável, tratá-la modifica a evolução.

Por que preciso fazer fisioterapia respiratória todo dia?

Porque nas bronquiectasias a drenagem natural das secreções está prejudicada. A higiene brônquica regular reduz o acúmulo de secreção e ajuda a diminuir infecções. O efeito depende da regularidade, não de sessões esporádicas.

Toda tosse com catarro é bronquiectasia?

Não. Tosse produtiva crônica tem várias causas, incluindo DPOC, bronquite crônica do fumante, asma com hipersecreção e infecções. A tomografia de tórax é o exame que diferencia essas possibilidades.

O que significa bronquiectasia no laudo da tomografia?

Significa que o radiologista viu brônquios com o canal mais largo do que o esperado, de forma permanente. É uma descrição do que aparece na imagem, não um diagnóstico fechado: a mesma palavra aparece em sequela de infecção antiga já estabilizada, em dilatações discretas de pessoas sem sintoma algum e na doença que cursa com tosse produtiva diária. O que distingue esses cenários é o quadro clínico e a comparação com exames anteriores, não a palavra isolada.

O que causa bronquiectasia?

A dilatação se instala por um ciclo de infecção, inflamação e destruição da parede do brônquio. No Brasil, a sequela de infecções graves é causa frequente, tuberculose incluída. Também causam bronquiectasia as imunodeficiências, sobretudo deficiências de anticorpos, a fibrose cística, inclusive em formas que só se manifestam na vida adulta, a discinesia ciliar primária, a aspergilose broncopulmonar alérgica, doenças reumatológicas como artrite reumatoide e Sjögren, e o refluxo com aspiração crônica. Procurar a causa vale o esforço porque parte delas tem tratamento próprio, que muda a evolução.

Bronquiectasia e brônquios dilatados são a mesma coisa?

São a mesma descrição, escrita de dois jeitos. Vale distinguir da bronquiectasia de tração, em que o brônquio foi alargado porque o tecido ao redor está retraído e o puxa: ali o problema está no tecido em volta, não na parede da via aérea, e a investigação segue outro caminho. Quando o laudo escreve bronquiectasia de tração, é desse segundo caso que ele está falando.

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