DPI associada a doenças reumatológicas

Artrite reumatoide, esclerose sistêmica, Sjögren, miosites e lúpus podem acometer o pulmão, às vezes antes das articulações ou da pele.

Lâmina de pulmão com pneumonia intersticial não específica fibrosante
Pneumonia intersticial não específica, forma fibrosante, ao microscópio. Yale Rosen, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

Sinais e sintomas mais relatados

Falta de ar aos esforços Tosse seca Dor e rigidez articular Fenômeno de Raynaud Mãos de mecânico Boca e olhos secos

Por que o pulmão entra nessa conversa

As doenças do tecido conjuntivo são sistêmicas, e o pulmão é um dos órgãos mais frequentemente atingidos. O acometimento intersticial pode aparecer anos depois do diagnóstico reumatológico, junto dele, ou antes, como primeira manifestação da doença. Nesse último cenário, o paciente chega ao pneumologista com uma tomografia alterada e nenhum diagnóstico reumatológico prévio.

É por isso que a investigação de qualquer doença intersticial inclui a busca ativa de sinais sistêmicos: dor e rigidez articular matinal, mudança de cor das extremidades no frio, olhos e boca secos, fraqueza muscular proximal, lesões cutâneas, refluxo importante e alterações nas unhas e nas mãos.

Lâmina de pulmão na esclerose sistêmica
Pulmão na esclerose sistêmica ao microscópio. Yale Rosen, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

Doenças mais associadas

  • Artrite reumatoide: pode cursar com padrão intersticial semelhante ao da FPI, o que torna a diferenciação clinicamente relevante, já que a conduta é diferente.
  • Esclerose sistêmica: o acometimento pulmonar é frequente e costuma ser silencioso no início, e por isso o rastreio é recomendado desde o diagnóstico.
  • Miopatias inflamatórias, incluindo as associadas ao anticorpo antissintetase, em que a doença pulmonar pode ser a manifestação predominante.
  • Síndrome de Sjögren, com padrões intersticiais variados e possível acometimento de vias aéreas.
  • Lúpus eritematoso sistêmico e doença mista do tecido conjuntivo.

Existe ainda um grupo de pacientes com achados sugestivos de autoimunidade que não preenchem critérios para uma doença reumatológica definida. Esses casos exigem acompanhamento conjunto e reavaliação ao longo do tempo, porque o quadro pode se definir mais tarde.

Avaliação e acompanhamento

A avaliação combina tomografia de alta resolução, provas de função pulmonar completas com DLCO e painel imunológico. Ecocardiograma entra na investigação de hipertensão pulmonar, que é uma complicação relevante em algumas dessas doenças, especialmente na esclerose sistêmica.

O acompanhamento em conjunto com o reumatologista é a forma mais adequada de conduzir esses casos. A decisão terapêutica precisa considerar simultaneamente a atividade articular, cutânea e pulmonar, porque nem todo esquema que controla a articulação protege o pulmão.

Corte de tomografia do tórax em janela de pulmão
Corte de tomografia de tórax em janela de pulmão. Imagem de acervo público. Goleisureintl, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.
Espirômetro portátil com bocais descartáveis
Espirômetro portátil: mede o volume e a velocidade do ar expirado. Biswarup Ganguly, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.

Tratamento

Na maior parte dessas doenças o componente inflamatório é relevante, e a imunossupressão é a base do tratamento. A escolha do agente depende da doença de base, do padrão pulmonar e das manifestações extrapulmonares.

Nos casos que evoluem com fenótipo fibrosante progressivo, apesar do tratamento imunossupressor, medicamentos antifibróticos podem ser associados. Reabilitação pulmonar, vacinação, tratamento de refluxo e avaliação de hipertensão pulmonar completam o cuidado.

Perguntas frequentes

Tenho artrite reumatoide. Devo fazer exame de pulmão mesmo sem sintomas?

A avaliação pulmonar em pacientes com doenças reumatológicas é individualizada e leva em conta o tipo de doença, o tempo de evolução, a presença de anticorpos específicos e fatores de risco como tabagismo. Vale discutir com seu reumatologista e seu pneumologista qual estratégia de rastreio se aplica ao seu caso.

A doença pulmonar pode aparecer antes dos sintomas nas articulações?

Sim. Em parte dos pacientes o pulmão é o primeiro órgão a manifestar a doença, e o diagnóstico reumatológico só se define depois. Por isso a investigação de doença intersticial inclui painel imunológico e busca ativa de sinais sistêmicos.

Preciso ser acompanhado pelo reumatologista e pelo pneumologista ao mesmo tempo?

Na maioria dos casos sim. O tratamento precisa equilibrar o controle da doença sistêmica e a proteção do pulmão, e as decisões ficam melhores quando as duas especialidades acompanham o caso em conjunto.

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