Dr. Fábio Eiji Arimura · Médico Pneumologista · CRM 139582-SP · RQE 74445 (11) 3063-4200
Glossário

Termos do laudo de tomografia de tórax

Você recebeu o laudo de uma tomografia de tórax e ele traz termos técnicos que não são de uso comum fora da medicina. Esta página explica, um por um, o que essas palavras descrevem na imagem. Nenhum verbete conclui um diagnóstico, porque uma palavra de laudo, isolada, não permite concluir.

Um laudo é um texto descritivo, escrito por um médico para outro médico. O radiologista registra o que vê nas imagens — onde está, com que aparência, de que tamanho — e registra também o que procurou e não encontrou: frases como ausência de consolidações descrevem o que está ausente. A linha da conclusão, no fim do laudo, é a opinião do radiologista sobre o que as imagens mostram. Ela pesa, às vezes muito, mas é uma leitura feita a partir das imagens e precisa ser juntada ao resto antes de virar um diagnóstico.

Duas coisas ajudam a ler esta página. A primeira: boa parte dos termos aqui aparece com frequência em tomografias de pessoas sem doença pulmonar, e muitos descrevem marcas antigas ou variações do próprio momento do exame. A segunda: é normal que um mesmo laudo traga vários desses termos juntos, e a quantidade de palavras não mede gravidade.

Nenhum dos termos desta página descreve uma emergência. O que indica atendimento imediato são sintomas, não palavras do laudo: falta de ar que começou de repente ou piorou rápido, dor no peito, febre alta, sangue no escarro. Fora disso, a leitura de um laudo de tomografia é assunto de consulta agendada.

Cada verbete traz a lista de variações com que o mesmo achado costuma ser escrito, porque cada serviço escreve de um jeito. Use o índice para ir direto ao termo do seu exame e, se não encontrar a palavra exata, procure pelo pedaço que você reconhece.

Consolidação

No laudo também aparece como opacidade consolidativa, opacidades consolidativas, consolidação parenquimatosa, área de consolidação, condensação, área de condensação, ausência de consolidações

Consolidação é a descrição de uma área do pulmão em que o ar dos alvéolos foi substituído por algum conteúdo, deixando a região branca na tomografia, a ponto de os vasos que passam por dentro dela não serem mais vistos. Muitos laudos usam condensação com o mesmo sentido.

Muitos laudos citam a palavra apenas para registrar que não encontraram o achado: escrever ausência de consolidações é informar o que foi procurado e não estava lá. Quando a consolidação existe, a causa mais conhecida é a pneumonia, e o mesmo aspecto branco aparece em outras situações. O laudo pode acrescentar broncograma aéreo, que é o desenho dos brônquios com ar dentro da área branca. Velamento é palavra de raio X, mais genérica, e às vezes se refere a líquido na pleura, não a pulmão preenchido.

Consolidação diz que os alvéolos daquela área estão preenchidos, e não o que os preencheu. Sintomas, febre, tempo de evolução e exames de sangue é que distinguem as possibilidades, e essa leitura é feita em consulta, em geral com o médico que pediu o exame.

Opacidade em vidro fosco

No laudo também aparece como vidro fosco, atenuação em vidro fosco, opacidades em vidro fosco, vidro despolido, opacidade em vidro despolido, ground-glass, GGO

Opacidade em vidro fosco é uma área do pulmão que aparece na tomografia com um tom acinzentado, mais clara que o pulmão ao redor, sem que os vasos e os brônquios por dentro deixem de ser vistos. Corresponde a espaço aéreo parcialmente ocupado, a paredes de alvéolos mais espessas, a alvéolos que não se encheram por completo ou a mais sangue circulando ali.

O mesmo tom cinza aparece em situações muito diferentes: infecção respiratória em curso ou recém-resolvida, inflamação, líquido, e também a posição durante o exame — áreas nas costas de quem ficou deitado de barriga para cima podem aparecer acinzentadas só por isso, e cortes feitos de bruços costumam esclarecer. Quando o laudo fala em nódulo em vidro fosco, e não em área, o caminho é o da página sobre nódulo pulmonar. Se o achado surgiu depois de uma pneumonia por COVID-19, a página sobre sequela pulmonar pós-COVID trata desse cenário.

Vidro fosco descreve aparência, não causa. O que orienta a leitura é a extensão, a distribuição, há quanto tempo o achado existe e a comparação com tomografias anteriores — informação que se reúne em consulta médica, com as imagens em mãos.

Micronódulos inespecíficos

No laudo também aparece como micronódulos, micronódulos pulmonares, micronódulos esparsos, nódulos inespecíficos, opacidades nodulares inespecíficas

Micronódulos inespecíficos são pontos arredondados muito pequenos dentro do pulmão, com menos de três milímetros pela terminologia radiológica de referência, embora parte dos laudos brasileiros use a palavra também para nódulos de até cerca de meio centímetro. Inespecífico quer dizer que o aspecto deles, sozinho, não aponta uma origem.

Inespecífico não é dúvida de quem assinou o laudo: é a forma técnica de dizer que aquele aspecto aparece em situações variadas, e achados desse tamanho são frequentes em tomografias feitas por qualquer motivo. Quando o laudo qualifica a distribuição — centrolobular, perilinfática, aleatória — o achado deixou de ser inespecífico, e essa palavra a mais é informação. Se a medida escrita no laudo passa de poucos milímetros, o texto que se aplica é o da página sobre nódulo pulmonar, que também explica por que a comparação com exames antigos pesa tanto.

Micronódulos descritos como inespecíficos são um achado de imagem, e o que orienta os próximos passos é o conjunto: número, distribuição, exames anteriores e a sua história. Essa conta é feita em consulta, com as imagens abertas, e não a partir da palavra isolada.

Granuloma e nódulo calcificado

No laudo também aparece como granuloma calcificado, granuloma periférico, nódulo calcificado, nódulo denso calcificado, calcificação residual, lesão calcificada residual

Nódulo calcificado é a descrição de um ponto no pulmão que acumulou cálcio e por isso aparece bem branco na tomografia, com densidade próxima à do osso. Granuloma é o nome de um aglomerado de células de defesa que o corpo forma ao isolar alguma coisa: um tipo de tecido, e não uma imagem.

A tomografia não enxerga o granuloma em si. Quando o laudo escreve a palavra, o radiologista está sugerindo a origem mais provável a partir do desenho da calcificação — por isso o padrão é sempre descrito. Calcificação central, difusa e em camadas são reconhecidas como aspectos de lesão antiga e já resolvida, e a chamada em pipoca corresponde a um tumor benigno, o hamartoma. Diante de um desses padrões, a orientação usual é não repetir o exame por causa desse achado. A página sobre nódulo pulmonar detalha esse raciocínio.

Granuloma e nódulo calcificado descrevem o que a imagem mostra e o que o radiologista deduz dela. O padrão da calcificação, o tamanho e a comparação com exames anteriores são justamente as informações que orientam a leitura, feita em consulta com as imagens em mãos.

Atelectasia laminar

No laudo também aparece como atelectasias laminares, atelectasia discoide, atelectasia subsegmentar, estrias atelectásicas, atelectasia basal

Atelectasia laminar é uma faixa fina de pulmão que não se encheu de ar naquele momento e ficou achatada como uma linha, quase sempre nas porções mais baixas, com poucos milímetros de espessura. A palavra laminar descreve essa forma em lâmina e informa a dimensão do achado.

Faixas assim se formam quando uma região ventila menos que o resto por algum tempo: respiração superficial durante o exame, dor, repouso prolongado, a própria posição dentro do aparelho. Podem ser horizontais ou inclinadas, mudar de lugar entre um exame e outro e não aparecer no seguinte. Quando o laudo escreve estrias fibroatelectásicas, acrescenta um componente cicatricial à descrição, tratado no verbete sobre alterações fibrocicatriciais.

Uma atelectasia laminar isolada registra que aquela faixa estava menos aerada no momento do exame, e não define doença por si. Comparar com exames anteriores e com o que a pessoa relata é o que costuma esclarecer o achado, e isso se resolve na consulta de rotina.

Linfonodos mediastinais e hilares

No laudo também aparece como linfonodomegalia mediastinal, adenomegalia mediastinal, gânglios mediastinais, linfonodos calcificados, linfonodos mediastinais de aspecto residual, linfonodos infracentimétricos esparsos, linfonodos subcarinais, aumento de gânglios hilares

Linfonodos mediastinais e hilares são gânglios do sistema de defesa localizados dentro do tórax: no mediastino, o espaço central entre os dois pulmões, e nos hilos, por onde brônquios e vasos entram em cada pulmão. Existem dezenas deles ali, e a tomografia os mostra mesmo quando estão normais.

Infracentimétrico quer dizer que o gânglio mede menos de um centímetro no eixo curto, que é o menor dos dois diâmetros medidos na imagem — e esse limite é convenção de laudo, não uma linha que separe normal de doente. Linfonodomegalia e adenomegalia são as palavras usadas quando a medida passa desse limite. Aspecto residual descreve gânglios pequenos, de contorno preservado, calcificados ou não; calcificações costumam ser marca de processos antigos, infecciosos ou de exposições inaladas, como as tratadas na página sobre silicose e pneumoconioses. Gânglios aumentados dos dois lados aparecem em situações bem diferentes entre si, e uma delas é descrita na página sobre sarcoidose.

O tamanho de um linfonodo, isolado, não diz o que o produziu, e a descrição do laudo não substitui a avaliação de quem examina você. Número, localização, aspecto e evolução entre exames são lidos em conjunto, em consulta médica.

Espessamento das paredes brônquicas

No laudo também aparece como espessamento brônquico, espessamento parietal brônquico, espessamento peribrônquico, paredes brônquicas espessadas, broncopatia inflamatória, sinais de broncopatia

Espessamento das paredes brônquicas é a descrição de brônquios cuja parede aparece mais grossa do que o esperado. Os brônquios são os tubos por onde o ar circula dentro do pulmão, e a parede deles é normalmente fina. O termo se refere à espessura dessa parede, não ao diâmetro interno do tubo.

É um dos achados mais comuns e um dos mais subjetivos do laudo: não existe medida padronizada para dizer o que é espesso, e a descrição aparece também em exames de pessoas sem queixa. Acompanha situações corriqueiras — infecção respiratória recente, asma, bronquite, tabagismo — e pode variar de um exame para o outro. É diferente de bronquiectasia, em que o canal está dilatado. As páginas sobre asma, DPOC e bronquiectasias tratam de condições das vias aéreas.

Paredes espessadas apontam para as vias aéreas como o lugar a olhar, sem apontar um diagnóstico. Sintomas, tempo de queixa e, quando indicada, a espirometria é que dão sentido ao achado, em consulta com médico pneumologista.

Espessamento pleural

No laudo também aparece como espessamento pleural apical, espessamento pleuroapical, espessamento pleural basal, espessamento pleural residual, aderência pleural, saliência pleural

Espessamento pleural é a descrição de uma área em que a pleura, a membrana fina que reveste o pulmão por fora e forra a parede do tórax por dentro, aparece mais grossa do que o habitual. Na tomografia surge como uma faixa densa entre o pulmão e a costela.

É achado frequente em tomografias feitas por qualquer motivo e com frequência corresponde a uma marca antiga — de uma inflamação, de um derrame pleural, de cirurgia ou de trauma — que permanece igual por muitos anos. Pleuroapical descreve espessamento no topo do pulmão, em geral tecido cicatricial logo abaixo da pleura; aderência descreve pontos em que as duas folhas ficaram unidas. O laudo registra localização, extensão e se há calcificação, e o que a pessoa respirou ao longo da vida entra na leitura, tema da página sobre silicose e pneumoconioses.

Espessamento pleural descreve a membrana, não uma doença, e a mesma expressão cobre tanto um espessamento restrito a um ponto quanto um espessamento extenso. Comparar com radiografias e tomografias antigas é o que mostra se aquilo já existia — leitura feita em consulta, junto dos sintomas e da história de exposições.

Cisto pulmonar

No laudo também aparece como cistos pulmonares, formação cística, lesão cística, espaços císticos, cistos de paredes finas, cisto no pulmão

Cisto pulmonar é um espaço arredondado dentro do pulmão, delimitado por uma parede própria, em geral fina, e que na maior parte das vezes contém ar — por isso aparece como uma bolinha escura de contorno nítido. É diferente de cisto em outros órgãos, onde a palavra costuma designar uma bolsa com líquido.

Cistos isolados, de parede fina, são achados frequentes em tomografias e ficam mais comuns com o passar dos anos. Três descrições vizinhas se confundem: o cisto tem parede própria; a bolha de enfisema também tem parede, muito fina, mede um centímetro ou mais e aparece em pulmão com enfisema em volta; o faveolamento é um agrupamento de espaços pequenos, encostados uns nos outros, na periferia. O laudo escolhe a palavra pelo tamanho, pela parede e pelo que existe ao redor.

Cisto é um descritor de forma, e o laudo registra a espessura da parede, o número e o tamanho porque são essas informações que orientam. Quando são muitos e espalhados pelos dois pulmões, a investigação segue outro caminho, e separar um cenário do outro se avalia em consulta com médico pneumologista.

Enfisema centrolobular e parasseptal

No laudo também aparece como enfisema centrolobular, enfisema parasseptal, enfisema paraseptal, enfisema centroacinar, focos de enfisema, áreas de enfisema, bolha de enfisema, bolhas subpleurais

Enfisema, no laudo de tomografia, é a descrição de áreas do pulmão com menos tecido e mais ar do que o normal, que aparecem como falhas escuras. Centrolobular indica que essas falhas estão no meio de cada pequena unidade pulmonar; parasseptal indica que estão encostadas nas divisórias e na superfície do pulmão.

Enfisema visto na tomografia é um achado de imagem. DPOC é um diagnóstico clínico, que depende de sintomas e de espirometria, o exame de sopro: há quem tenha focos de enfisema descritos no laudo e espirometria normal, e o contrário também acontece. No enfisema parasseptal, espaços maiores encostados na pleura são chamados de bolhas subpleurais. Paraseptal, escrito com um s só, é a mesma palavra. A página sobre DPOC explica como esse diagnóstico é feito.

A palavra enfisema no laudo não fecha o diagnóstico de DPOC e não mede como está a sua respiração. Quem mede isso é a prova de função pulmonar, interpretada junto dos sintomas e da história de exposições em consulta médica.

Atenuação em mosaico e aprisionamento aéreo

No laudo também aparece como padrão em mosaico, atenuação em mosaico, áreas de aprisionamento aéreo, aprisionamento aéreo expiratório, retenção aérea, air trapping

Atenuação em mosaico é a descrição de um pulmão com áreas mais claras e mais escuras lado a lado, formando um desenho salpicado em vez de um tom uniforme. Aprisionamento aéreo é o termo usado quando parte das áreas escuras continua escura nas imagens feitas durante a expiração.

O mosaico não tem explicação única: pode vir das vias aéreas pequenas, e aí os cortes em expiração mostram o aprisionamento; pode vir de áreas de vidro fosco, e aí o alterado é a parte mais clara; pode vir da circulação do pulmão, e nesse caso o laudo costuma escrever perfusão em mosaico, expressão que já sugere um mecanismo. Pequenas áreas de aprisionamento aparecem também em pessoas sem doença pulmonar, sobretudo nas partes de baixo. As páginas sobre asma, DPOC e pneumonite de hipersensibilidade tratam de contextos em que o achado é procurado.

Mosaico e aprisionamento aéreo descrevem como o ar está distribuído naquele instante e não dizem qual dos lados é o alterado. Sem cortes em expiração, essa parte da informação não está no exame; conferir isso e cruzar com as provas de função pulmonar é parte da avaliação feita com médico pneumologista.

Alterações fibrocicatriciais e fibroatelectásicas

No laudo também aparece como alterações fibrocicatriciais, fibroatelectasia, alterações fibroatelectásicas, alterações fibrorretráteis, estrias fibroatelectásicas, bandas parenquimatosas, faixas parenquimatosas, opacidade fibroatelectásica residual, densificação intersticial residual

Alterações fibrocicatriciais são marcas de tecido cicatricial dentro do pulmão, descritas na tomografia como faixas, estrias ou traves finas, muitas vezes com uma leve retração da região onde estão. A terminação fibroatelectásica acrescenta a informação de que, junto da marca, há um pedaço de pulmão menos aerado.

O prefixo fibro aparece nas duas expressões, e é daí que vem a confusão: alteração fibrocicatricial não é o mesmo que fibrose pulmonar. Fibrose pulmonar também não é uma doença única — é o nome do tecido cicatricial que várias doenças diferentes produzem no interstício, em geral em áreas mais extensas dos dois pulmões. As alterações fibrocicatriciais, na maior parte dos laudos, descrevem marcas mais localizadas, e as mesmas palavras aparecem também quando existe alteração intersticial inicial nas bases. O guia sobre fibrose pulmonar descreve o que caracteriza a doença.

A palavra sozinha não diz o que deixou aquela marca nem quando. O que separa uma cicatriz localizada e antiga de uma alteração do interstício é a distribuição no pulmão, a comparação com exames antigos e as provas de função pulmonar, avaliação de consulta com médico pneumologista.

Espessamento de septos interlobulares

No laudo também aparece como septos interlobulares espessados, espessamento septal, septos espessados, espessamento septal liso, espessamento septal nodular

Espessamento de septos interlobulares é a descrição de linhas finas que aparecem delimitando pequenas regiões do pulmão, de um a dois centímetros e meio. Esses septos são as bordas dessas regiões e carregam veias e vasos linfáticos por dentro; em um exame sem alterações, são finos demais para serem vistos.

Ficarem visíveis quer dizer que alguma coisa ocupa ou espessa essa borda. Líquido acumulado nessa camada é uma das explicações, e por isso a avaliação do coração entra cedo na investigação; inflamação e tecido cicatricial produzem imagens parecidas. O laudo costuma registrar se o espessamento é liso, nodular ou irregular, e se está em um trecho ou espalhado, porque cada um desses aspectos tem leitura própria. É uma camada diferente daquela que fica entre os alvéolos, embora as duas façam parte do interstício, tema do guia sobre fibrose pulmonar.

Septos espessados sinalizam que algo mudou naquela camada do pulmão, sem dizer o quê, e o mesmo achado pode regredir ou permanecer. Separar os dois cenários depende do exame físico, da avaliação do coração, de exames de sangue e às vezes de uma tomografia de comparação, e essa separação é feita na consulta, com médico pneumologista.

Reticulado

No laudo também aparece como padrão reticular, opacidades reticulares, infiltrado reticular, reticulado subpleural, reticulado nas bases, espessamento reticular, opacidades retículo-nodulares, padrão retículo-nodular

Reticulado é o desenho de linhas finas cruzadas que aparece em algumas áreas do pulmão na tomografia, parecido com uma rede ou uma malha. O pulmão normal é quase todo escuro, porque é ar; quando linhas claras formam essa trama, o laudo registra opacidades reticulares.

As linhas correspondem ao interstício, a rede de sustentação do pulmão: ela vai da pleura para dentro, pelas paredes que separam as pequenas regiões, e acompanha também brônquios e vasos. Em um pulmão normal é fina demais para aparecer. Líquido, inflamação e tecido cicatricial engrossam essa rede, e a mesma palavra aparece no laudo de quem tem uma cicatriz antiga e no de quem está investigando uma doença do interstício. Linhas finas nas partes de trás e mais baixas podem refletir apenas a posição durante o exame. O guia sobre fibrose pulmonar explica esse raciocínio.

Reticulado é um padrão de imagem, e não um diagnóstico. Onde a malha está, se as linhas são finas ou espessas, o que aparece ao lado dela e o que exames antigos mostravam é o que orienta a leitura, feita por médico pneumologista junto das provas de função pulmonar.

Bronquiectasias de tração

No laudo também aparece como bronquiectasia de tração, bronquioloectasias de tração, dilatação brônquica de tração, brônquios tracionados

Bronquiectasia de tração é um brônquio que aparece mais largo do que o esperado porque o tecido ao redor está retraído e puxa a parede do tubo para fora. O termo descreve a causa mecânica da dilatação, e não uma doença da parede do próprio brônquio.

Existe uma doença chamada bronquiectasia, com brônquios dilatados que drenam mal a secreção, e nela o problema está na parede da via aérea — é o que descreve a página sobre bronquiectasias. Na de tração, a dilatação vem de fora, o contorno costuma ficar irregular e o que mudou foi o tecido em volta. Em quadros recentes, sobretudo depois de uma pneumonia, esse aspecto pode diminuir ao longo dos meses, como descreve a página sobre sequela pulmonar pós-COVID; quando persiste e vem junto de reticulado, é uma das combinações que motivam avaliação especializada.

A palavra tração descreve o mecanismo que alargou o brônquio, não a causa da retração ao redor. Essa segunda pergunta é respondida com a tomografia lida junto da história, das exposições e das provas de função pulmonar, em consulta com médico pneumologista.

Distorção arquitetural

No laudo também aparece como distorção da arquitetura pulmonar, subversão da arquitetura, desarranjo arquitetural, distorção do parênquima, distorção arquitetural associada a perda volumétrica, retração do parênquima

Distorção arquitetural é a descrição de uma região do pulmão em que brônquios, vasos e fissuras não estão na posição habitual: o que deveria correr reto corre torto, o que deveria estar num lugar aparece deslocado. O termo diz respeito ao arranjo das estruturas na imagem, não a uma medida de gravidade.

Em português comum, distorção e subversão soam mais fortes do que o sentido técnico que têm no laudo: nenhuma das duas mede quanto pulmão está envolvido nem diz o que deslocou as estruturas. Quando o laudo acrescenta perda volumétrica, está dizendo que aquela região ocupa menos espaço do que o esperado para ela. O achado pode ficar restrito a um trecho, ao redor de uma cicatriz antiga ou de uma cirurgia, ou aparecer nos dois pulmões — extensão, localização e comparação com exames antigos é o que distingue essas situações. A página sobre sequela pulmonar pós-COVID e o guia sobre fibrose pulmonar tratam de contextos em que o termo é frequente.

Distorção arquitetural descreve onde as estruturas estão, e não o que as colocou ali nem quando. Uma alteração estável há anos e uma alteração recente podem ser escritas com as mesmas palavras, e é a comparação com exames anteriores, feita com o médico que acompanha você, que separa uma da outra.

Faveolamento

No laudo também aparece como favo de mel, pulmão em favo de mel, padrão em favo de mel, faveolamento subpleural, faveolamento nas bases, honeycombing

Faveolamento é o nome dado a um agrupamento de pequenos espaços cheios de ar, com paredes bem definidas, em geral de três a dez milímetros e às vezes maiores, dispostos lado a lado e empilhados em uma ou mais camadas, quase sempre encostados na pleura. O desenho lembra um favo de mel, e daí vem a palavra.

É um termo aplicado com critério estreito, porque outros achados produzem imagem parecida em corte fino: enfisema parasseptal, cistos de outras origens e brônquios dilatados vistos de través. Por isso ele é lido junto do restante do exame e reavaliado quando existem cortes finos e tomografias anteriores para comparar — essa comparação é a informação que mais muda a leitura. A palavra também aparece no guia sobre fibrose pulmonar, e vale ler esse guia sabendo que encontrar o termo num laudo não é o mesmo que ter a doença descrita lá.

Faveolamento é uma descrição de forma, e a palavra sozinha não informa a causa nem mede o que o pulmão consegue fazer. Quanto do pulmão está envolvido, o que exames antigos mostravam e as provas de função pulmonar são analisados em conjunto, na consulta com médico pneumologista.

O que um laudo, sozinho, não decide

Um laudo de tomografia descreve o que apareceu na imagem em um dia específico. Ele não sabe se você sente alguma coisa e há quanto tempo, que trabalho você fez, com o que convive em casa, que medicamentos usa, se há doença reumatológica sua ou na família, como está a sua função pulmonar nem o que a tomografia de três anos atrás mostrava — e são essas informações que dão sentido às palavras do laudo. Por isso o mesmo descritor significa coisas diferentes em duas pessoas, e por isso a comparação com exames antigos muda a leitura do exame novo com uma frequência que surpreende quem leva só o laudo mais recente.

Se a sua tomografia trouxe algum dos termos desta página, o caminho é levar o exame a uma consulta com um médico pneumologista. Leve o arquivo digital, e não apenas o papel do laudo: as imagens precisam ser vistas. Leve também as tomografias anteriores que tiver guardadas, mesmo as antigas, os resultados de função pulmonar já realizados e a lista dos medicamentos em uso. A avaliação reúne a imagem, a história clínica e ocupacional, as provas de função pulmonar, exames de sangue e, em parte dos casos, outros exames que o médico considerar necessários.

É desse conjunto que sai a conclusão possível em cada caso, e nenhuma página da internet, esta inclusive, substitui essa leitura.

Levar a tomografia a uma consulta

As consultas são agendadas pelo WhatsApp da secretária. Leve o arquivo digital do exame, e não apenas o laudo impresso, junto das tomografias anteriores que tiver guardadas.

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