Fibrose pulmonar idiopática (FPI)

A FPI é a forma de fibrose pulmonar em que não se identifica causa externa nem doença sistêmica associada. O diagnóstico é de exclusão e exige investigação cuidadosa.

Corte de tomografia de alta resolução do tórax com sinais de fibrose pulmonar
Tomografia de alta resolução de uma pessoa com fibrose pulmonar idiopática. Imagem de acervo público. IPFeditor, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

Sinais e sintomas mais relatados

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O que caracteriza a FPI

A fibrose pulmonar idiopática é uma doença intersticial crônica e progressiva, mais comum a partir da sexta década de vida, com predomínio em homens e forte associação com histórico de tabagismo. O termo idiopática significa que, após investigação completa, não se encontrou exposição ambiental, medicamento, infecção ou doença reumatológica que explique a fibrose.

Isso torna a FPI um diagnóstico de exclusão. Ele não deve ser dado apenas porque a tomografia mostra fibrose, e sim depois de afastar as outras causas possíveis. Essa distinção não é acadêmica: pneumonite de hipersensibilidade crônica e doença intersticial associada à artrite reumatoide podem ter aparência tomográfica semelhante e conduta diferente.

Lâmina de pulmão com pneumonia intersticial não específica fibrosante
Pneumonia intersticial não específica, forma fibrosante, ao microscópio. Yale Rosen, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

O padrão PIU na tomografia

A FPI está associada ao padrão de pneumonia intersticial usual (PIU). Na tomografia de alta resolução, esse padrão se caracteriza por alterações predominantes nas bases e nas regiões periféricas dos pulmões, com reticulado, bronquiectasias de tração e faveolamento, e pouca opacidade em vidro fosco.

Quando o padrão é clássico e o contexto clínico é compatível, o diagnóstico pode ser estabelecido sem biópsia. Quando a tomografia é apenas provável ou indeterminada para PIU, entram na discussão a coleta de material por broncoscopia, a criobiópsia ou a biópsia cirúrgica, sempre pesando o benefício da informação contra o risco do procedimento em cada paciente.

Investigação necessária antes de firmar o diagnóstico

Uma avaliação adequada inclui:

  • História ocupacional e ambiental detalhada, incluindo mofo, aves, umidificadores, poeiras e reformas domésticas.
  • Revisão completa de medicamentos em uso atual e passado.
  • Painel de autoanticorpos e avaliação de sinais e sintomas reumatológicos.
  • Tomografia de alta resolução com protocolo adequado, incluindo cortes em expiração e em decúbito ventral quando indicado.
  • Espirometria, volumes pulmonares e DLCO.
  • Discussão multidisciplinar nos casos com dúvida entre diagnósticos.
Gravura do espirômetro de John Hutchinson
O espirômetro de John Hutchinson, que em 1846 criou a medida da capacidade vital. Wellcome Collection. CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.
Página antiga com gravura dos pulmões
Gravura antiga dos pulmões. Wellcome Collection. CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

Tratamento

O tratamento da FPI mudou significativamente na última década com a chegada dos medicamentos antifibróticos, que têm como objetivo reduzir a velocidade de queda da função pulmonar. A escolha entre as opções disponíveis, a dose e o manejo dos efeitos adversos gastrointestinais e cutâneos são parte importante do acompanhamento, porque a tolerância ao medicamento influencia diretamente a continuidade do tratamento.

Ao lado do antifibrótico, o cuidado inclui reabilitação pulmonar, avaliação e tratamento de refluxo gastroesofágico e apneia do sono, vacinação, suporte nutricional, oxigenoterapia quando indicada e encaminhamento precoce para avaliação de transplante pulmonar nos casos com critérios. Corticoide em dose alta e imunossupressão não são tratamento de rotina para FPI e podem ser prejudiciais nesse diagnóstico específico, o que reforça a importância de diferenciar a FPI das doenças intersticiais inflamatórias.

O seguimento é feito com provas de função pulmonar seriadas e tomografia em intervalos definidos, além da avaliação de sintomas e capacidade de exercício.

Exacerbação aguda

Uma parcela dos pacientes com FPI pode apresentar piora respiratória rápida, em dias a poucas semanas, sem infecção ou causa cardíaca que explique o quadro. Essa situação, chamada exacerbação aguda, é grave e exige avaliação hospitalar imediata.

Piora súbita da falta de ar, febre, aumento importante da tosse ou queda da saturação são sinais para procurar pronto atendimento, não para aguardar a próxima consulta.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre fibrose pulmonar e fibrose pulmonar idiopática?

Fibrose pulmonar é o achado de cicatrização do pulmão, que aparece em muitas doenças diferentes. Fibrose pulmonar idiopática é um diagnóstico específico dentro desse grupo, reservado aos casos em que a investigação não encontrou causa identificável e o padrão radiológico ou histológico é de pneumonia intersticial usual.

É sempre necessário fazer biópsia pulmonar na FPI?

Não. Quando a tomografia de alta resolução mostra padrão típico de pneumonia intersticial usual e o contexto clínico é compatível, o diagnóstico pode ser feito sem biópsia. A biópsia entra na discussão quando o padrão é indeterminado e o resultado pode mudar a conduta.

Os antifibróticos revertem a fibrose já existente?

Não revertem o tecido já cicatrizado. O objetivo do tratamento é reduzir a velocidade de progressão da doença. A resposta individual e a tolerância ao medicamento variam, e o acompanhamento com provas de função pulmonar é o que permite avaliar a evolução em cada caso.

Recebi diagnóstico de FPI em outro serviço. O que levar na consulta?

Traga as tomografias em arquivo digital, incluindo as antigas, as provas de função pulmonar já realizadas, os exames de sangue com painel imunológico, o laudo de biópsia se houver e a lista completa de medicamentos usados. Nas doenças intersticiais, a comparação entre exames ao longo do tempo é parte do raciocínio diagnóstico.

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