Apneia obstrutiva do sono

Ronco alto, pausas na respiração e sono que não descansa. A apneia do sono tem impacto cardiovascular e metabólico, além do cansaço diurno.

Pessoa deitada com os sensores de uma polissonografia
Polissonografia demonstrada com um modelo: os sensores registram respiração, oxigenação e sono durante a noite. Clinique Somnomed, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Sinais e sintomas mais relatados

Ronco alto Pausas respiratórias no sono Sono não reparador Sonolência diurna Dor de cabeça ao acordar Dificuldade de concentração

O que acontece durante o sono

Na apneia obstrutiva do sono, a via aérea superior se fecha parcial ou completamente durante o sono, interrompendo o fluxo de ar por segundos. Cada episódio provoca queda de oxigênio e um microdespertar que restabelece a respiração, geralmente sem que a pessoa perceba. Isso pode se repetir dezenas de vezes por hora.

O resultado é um sono fragmentado, que não cumpre sua função restauradora, somado a oscilações repetidas de oxigenação e ativação do sistema nervoso simpático. Daí decorrem tanto os sintomas diurnos quanto as consequências cardiovasculares e metabólicas.

Máscara de CPAP posicionada no rosto
Máscara de CPAP, o aparelho de pressão positiva usado no tratamento da apneia obstrutiva do sono. Pöllö, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.

Sinais e consequências

Sintomas noturnos: ronco alto e habitual, pausas respiratórias observadas por outra pessoa, engasgos, despertares frequentes, sudorese noturna e necessidade de urinar à noite.

Sintomas diurnos: sonolência excessiva, cansaço ao acordar, dor de cabeça matinal, dificuldade de concentração e memória, irritabilidade e queda de rendimento.

A apneia não tratada está associada a hipertensão de difícil controle, arritmias, doença coronariana, acidente vascular cerebral, alterações do metabolismo da glicose e maior risco de acidentes de trânsito e de trabalho. Em pacientes com doença pulmonar crônica, a apneia associada agrava a hipoxemia noturna e piora o controle da doença de base.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por exame do sono. A polissonografia completa em laboratório registra sono, respiração, oxigenação e eventos cardíacos. A poligrafia respiratória domiciliar é uma alternativa em pacientes selecionados, com perfil clínico adequado e sem comorbidades que exijam monitorização mais ampla.

O exame define o índice de apneia e hipopneia por hora de sono, o grau de dessaturação e as características dos eventos, informações que orientam a indicação terapêutica junto do quadro clínico.

Aparelho de CPAP com máscara e tubo
Aparelho de CPAP com a máscara e o tubo. Infrogmation, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
Gravura do século XIX com uma cena de refeição
Gravura de Phiz para as obras de Charles Dickens, edição de 1873. Um personagem de Dickens, o menino Joe, sonolento a qualquer hora, deu nome à antiga síndrome de Pickwick. Internet Archive Book Images, sem restrição de direitos conhecida, via Wikimedia Commons.

Tratamento

As principais opções são:

  • CPAP: aparelho que mantém a via aérea aberta com pressão positiva durante o sono. É o tratamento com maior eficácia nos casos moderados e graves. A adaptação ao dispositivo e à máscara nas primeiras semanas é decisiva para a adesão, e merece acompanhamento ativo.
  • Aparelho intraoral, confeccionado por dentista com formação em odontologia do sono, indicado em casos leves a moderados ou em pacientes que não toleram CPAP.
  • Redução de peso, que tem efeito consistente sobre a gravidade da apneia em pacientes com sobrepeso e obesidade.
  • Tratamento medicamentoso da obesidade: em outubro de 2025 a Anvisa aprovou a tirzepatida, vendida com o nome comercial Mounjaro, para apneia obstrutiva do sono em adultos com obesidade. É a primeira medicação a ter essa indicação em bula no Brasil, e age sobre a apneia por meio da perda de peso, não sobre a via aérea diretamente. Exige prescrição e acompanhamento, tem contraindicações e efeitos adversos próprios, e não substitui o CPAP nos casos moderados e graves em que o CPAP está indicado.
  • Terapia posicional, quando os eventos ocorrem predominantemente em decúbito dorsal.
  • Avaliação otorrinolaringológica para identificar fatores anatômicos e discutir opções cirúrgicas em casos selecionados.
  • Ajuste de fatores agravantes: álcool à noite, sedativos e privação de sono.

Perguntas frequentes

Ronco sempre significa apneia?

Não. Existe ronco sem apneia. Mas ronco alto e habitual, especialmente com pausas respiratórias observadas por outra pessoa e sonolência durante o dia, é indicação para investigar com exame do sono.

Preciso usar CPAP para sempre?

O CPAP trata a apneia enquanto está em uso, e não corrige a causa anatômica. Em pacientes que perdem peso de forma significativa ou tratam fatores contribuintes, a gravidade pode diminuir e a necessidade do aparelho é reavaliada com novo exame do sono.

Mounjaro serve para apneia do sono?

Sim, com indicação delimitada. Em outubro de 2025 a Anvisa aprovou a tirzepatida, cujo nome comercial é Mounjaro, para apneia obstrutiva do sono em adultos com obesidade — a primeira medicação a ter essa indicação em bula no Brasil. O efeito sobre a apneia vem da perda de peso, e não de uma ação direta sobre a via aérea: por isso a indicação é para quem tem obesidade associada, e não para apneia de qualquer causa. Nos casos moderados e graves, não substitui o CPAP onde o CPAP está indicado. É medicamento de prescrição, com contraindicações e efeitos adversos próprios, e a decisão depende do exame do sono, do peso e das outras condições de saúde da pessoa.

Existe remédio para apneia do sono?

Até 2025 não havia medicação aprovada no Brasil para tratar a apneia obstrutiva do sono, e o tratamento era feito com aparelhos, perda de peso, medidas posicionais e cirurgia em casos selecionados. Isso mudou com a aprovação da tirzepatida para adultos com obesidade e apneia, que é hoje a única medicação com essa indicação em bula. Fora dessa situação, não existe comprimido que trate a apneia: remédios para dormir não tratam, e sedativos tendem a piorar as pausas respiratórias. Quando há sonolência que persiste apesar do tratamento correto, existem medicações dirigidas à sonolência, que não corrigem a apneia em si.

Ozempic trata apneia do sono?

Não com indicação em bula. A molécula aprovada para apneia obstrutiva do sono é a tirzepatida, e não a semaglutida, que é o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy. As duas são medicações usadas no tratamento do diabetes e da obesidade e são frequentemente confundidas, mas apenas a tirzepatida teve essa indicação específica avaliada e aprovada. Perder peso por qualquer caminho tende a reduzir a gravidade da apneia em quem tem obesidade, o que não é a mesma coisa que ter indicação aprovada para tratá-la. Qual medicação usar, se alguma, é decisão de quem prescreve e acompanha o caso.

O que é apneia do sono?

Apneia do sono é a interrupção repetida da respiração durante o sono, causada pelo fechamento da via aérea superior. Cada pausa dura segundos, derruba o oxigênio do sangue e provoca um microdespertar que religa a respiração, quase sempre sem que a pessoa perceba — o que pode se repetir dezenas de vezes por hora, noite após noite. É por isso que o sintoma mais comum não é acordar sufocado, e sim acordar cansado: o sono existe em quantidade, mas não cumpre a função de descansar.

Qual é o aparelho usado para apneia do sono?

São dois aparelhos diferentes. O CPAP é uma bomba que sopra ar sob pressão por uma máscara e mantém a via aérea aberta durante a noite: é o tratamento de maior eficácia nos casos moderados e graves, e as primeiras semanas de adaptação à máscara decidem se a pessoa continua usando. O aparelho intraoral é uma placa feita sob medida por dentista com formação em odontologia do sono, que projeta a mandíbula para a frente, e serve para casos leves a moderados ou para quem não tolera o CPAP. Qual dos dois indicar depende da gravidade medida no exame, não da preferência inicial.

Que exame diagnostica a apneia do sono?

A polissonografia, exame que registra durante a noite a respiração, a oxigenação, os movimentos e as fases do sono. Ela conta quantas pausas acontecem por hora — o índice de apneia e hipopneia — e é esse número que separa apneia leve, moderada e grave, definindo o tratamento. Existem também exames simplificados feitos em casa, indicados em parte dos casos. Ronco e cansaço levantam a suspeita; nenhum dos dois fecha o diagnóstico nem mede a gravidade.

Apneia do sono tem relação com doença pulmonar?

Sim. A apneia associada a DPOC ou a doenças intersticiais agrava a queda de oxigenação durante o sono e pode piorar o controle da doença de base. Por isso a investigação de apneia faz parte da avaliação de vários pacientes pneumológicos.

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